Sentia-me seguro em meu paquete quando fui tragado.
Ele sugou-me
para si, subtamente. O oceano da maldade me envolveu e
forçou-me à mais
dolorosa imersão. Senti-me sem controle, sem força,
sem possibilidades de mudar
seu desejo, tão absoluto.
Ele desejou-me e consumou seu apetite.
Enquanto aprofundava, pude perceber a dor. A dor causada pela
maldade
que contamina o homem, que contamina a alma.
Que contagia princípios,
que infecta valores. A maldade nutre os maldosos e
consome inocentes que,
invariavelmente, não sabem nadar.
Eles desconhecem essas águas turvas.
Braçadas, pernadas, vascolejadas: vãs.
Tuas águas surpreendem. Ludibriam. Embaçam as vistas: fazem
o
transitório parecer perene. E o fugaz, permanente.
Um ambiente sombrio, repulsivo e sufocante, no qual encontramo-nos
solitariamente confusos. Atormentados. Vítimas ou culpados? Verdade ou mentira?
Nada mais é tão importante ou intenso que o desejo de não estar mais ali,
como
um náufrago, que sabia nadar, mas apenas em outros mares.
Força! Morrerei sem ar, mas não beberei de tuas águas.
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