quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Oceano da Maldade


Sentia-me seguro em meu paquete quando fui tragado.
Ele sugou-me para si, subtamente. O oceano da maldade me envolveu e
forçou-me à mais dolorosa imersão. Senti-me sem controle, sem força,
sem possibilidades de mudar seu desejo, tão absoluto.

Ele desejou-me e consumou seu apetite.


Enquanto aprofundava, pude perceber a dor. A dor causada pela maldade
que contamina o homem, que contamina a alma.
Que contagia princípios, que infecta valores. A maldade nutre os maldosos e
consome inocentes que, invariavelmente, não sabem nadar.
Eles desconhecem essas águas turvas.

Braçadas, pernadas, vascolejadas: vãs.

Tuas águas surpreendem. Ludibriam. Embaçam as vistas: fazem o
transitório parecer perene. E o fugaz, permanente.

Um ambiente sombrio, repulsivo e sufocante, no qual encontramo-nos
solitariamente confusos. Atormentados. Vítimas ou culpados? Verdade ou mentira?
Nada mais é tão importante ou intenso que o desejo de não estar mais ali,
como um náufrago, que sabia nadar, mas apenas em outros mares.


Força! Morrerei sem ar, mas não beberei de tuas águas.



Nenhum comentário:

Postar um comentário