quarta-feira, 17 de abril de 2013

Pudica


Casta. Discreta. Imaculada. Era tudo que aparentava.

Seu cabelo tinha um corte modesto, de meses, resguardando generosamente as faces de suas bochechas. Sua franja quase cobria os olhos. Tudo em seu rosto sugeria recato, inclusive a ausência de batom – ou qualquer cosmético.


Orelhas, brincos? Deles nada sabemos.

Seu pescoço, alongado, aduzia um singelo e desbotado cordão de prata, com um pequeno pingente que, de longe, parecia uma estrela, talvez uma pirâmide, algo pontiagudo.

Seu aroma era atilado e suave. Algo com jasmim. Talvez Floratta.

Seus ombros, próximos e pouco volumosos, eram cobertos por um cardigã opaco, lilás, que tocava parte do vestido florido, com minúsculos e bucólicos tons arroxeados e esbranquiçados. Também notava-se sutis traços de verde-folha.

O vestido quase não delineava a cintura. Tampouco bosquejava o busto. Causava uma impressão romântica, delicada.

Os joelhos estavam expostos. Ao menos, metade deles. Eram arredondados e, convictamente, apontavam pra frente. Suas empareadas panturrilhas eram poeticamente simétricas.

Suas sandálias rasteiras lembravam a Grécia, mas cobriam bastante os pés. Aqueles que fascinam-se por unhas bem feitas, permanecem curiosos até os dias de hoje.

Era pudica.

Entretanto, aceitou o convite. Disse sim.



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