quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Olheiras
Olheiras. Elas existem. Cedo ou tarde desabrocham na cútis, sob os olhos.
Amparam os mais diversos olhares, dos bastante penalizados aos mais laboriosos.
Seus signos são tantos. Alternam entre momentos desgastantes – muito ruins ou muito alegres. Comumente brotam pela manhã. Enegrecem o olhar ao meio-dia. Alcançam o ápice ao anoitecer.
Muita maquiagem pode sutilmente disfarçá-las. Uma escapatória exclusivamente feminina: que leva tempo, dinheiro e a habilidade natural das mulheres.
As minhas olheiras são solidárias, estáveis e inabaláveis há anos. Sua forte personalidade causaria inveja a líderes de vários setores. Mas deixando sua intrínseca resiliência de lado, posso afirmar seguramente que representam muito de minha história.
Representam algum cansaço, noites de trabalho, decepções, desgraças e raras noites de farra – essas nem mereciam ser citadas, pois certamente não nutriram o desenvolvimento de minhas olheiras. Não ao ponto de ganharem menção.
Eu gostaria que elas sumissem. Se escafedessem. Ao menos, se clareassem, diminuíssem, eu já me daria por satisfeito, afinal, preservaria uma aparência menos surrada.
Meu semblante às vezes fica meio obscuro, macabro, por causa delas.
Entretanto, os significados dessas marcas sob meus olhos objetivamente me lembram quem sou, por onde andei e como cheguei até aqui. Ou seja, elas me situam. Da maneira mais esteticamente desagradável, me situam.
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