Amigos são pessoas que te recebem com calor e êxtase. Mesmo em silêncio, mesmo sem pompas.
Essa singeleza conduz a melhor recepção do mundo: pacata e simples, entretanto, encharcada de verdade.
Genuinidade. A chancela da amizade.
Empatia. Sua alcunha.
Discrição. Por vezes, sua rubrica.
Ditados afirmam que amigos devem ser poucos. A vida, pândega, aponta o contrário com certa freqüência.
Em meus momentos, me pergunto por eles. Esses amigos que já não contabilizo, mas que por ora me cercam.
Tapas nos ombros não me faltam. Tampouco belos discursos de afeto.
As juras de amor e promessas de confiança brotam como capim em terra desamparada.
Contudo, quem eles são?
Os que não se importam com o que tenho a oferecer, mas que me amam, gratuitamente? Os que sofrem quando eu sofro? Os que me escutam? Os que me são verdadeiros, mesmo quando a verdade nos sobrevêm de maneira afiada, cortante?
Procuro-os. Avidamente, procuro-os.
Alguns, perdi por relapsia. Outros, de propósito mesmo.
Uns se foram. Outros, chegaram – E isso sempre acontece: Encadeadamente, como um soneto; Poeticamente nossos rumos se escrevem, como frases de Bilac.
Sei que os tenho em dúzias. E os amo. Como os amo.
Me encho de vontade de me doar aos meus. Coisa boa é conversar. Porém, o silêncio entre amigos também nos enriquece, afaga nossa alma. Partilhar o pão, então, é sublime.
Alguns deles situam-se perto, mas não sei o quanto se importam. Outros, devem pensar o mesmo de mim – e reconheço que preciso tornar pública minha estima.
Talvez dedicar mais tempo para as amizades, de forma sóbria, seja minha panacéia.
Mas antes de qualquer coisa, preciso reconhecê-los.
Quem são meus amigos?
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