Com o perdão de Cartola, hoje não disfarço para chorar meu
lamento.
Hoje não disfarço pra nada. O disfarce não furtará a
verdade, não roubará o anelo pela alegria.
Alegria que rege o dia, que finda ciclos e recomeça fases.
Alegria que saudosa é dos dias de outrora, mas que deseja livremente vivenciar
o presente, o agora.
A alegria de hoje me faz pausar o dia para que esse não acabe. Me
faz acelerá-lo para que a velocidade traga ainda mais emoção e, ao final, me
faz retrocedê-lo, para que o gozo recomece.
Hoje quero comemorar a vida, o dia, o minuto. Celebrar o que
aconteceu e o que ainda está para chegar. Viver e respirar o júbilo que não
sinto, necessariamente, a todo instante, mas que sei que me é alcançável,
conquistável, e que me aguarda, como um filho em dia de promessa de pai.
Hoje quero rir. Hoje quero me apaixonar. Hoje quero as duas
coisas [juntas].
Hoje não disfarço, não choro, não
temo. Engraçado que não acordei feliz: o dia começou escuro, mas foi clareando ao passar das horas e dando
espaço à exultação.
É que não temo mais a dias escuros. Porque venho aprendendo a iluminá-los.
Que o dia, hoje, seja claro. Iluminado.
Que o dia seja fluorescente. Que o dia seja tagarela. Que o dia
seja joia.
Que o dia seja bom.
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