Alguns dias fora de casa trazem certo alívio. Mas retornar à
casa, proporciona uma sensação reconfortante. É como um encontro. Versos e
melodia tocando-se entre si, harmonicamente encadeados.
Ao sair, deixamos a rotina, a obrigação, o horário, a agenda
e, sobretudo, a bagunça. Bagunça de casa com crianças. Crianças vivas; não
daquelas que fixaram na memória o não-pode.
O regresso oferece uma reflexão sobre o sentido da casa, do
que ela abriga.
Os móveis permanecem os mesmos, de anos. Com tempo sem
vê-los, é possível notar novos arranhões que, de fato, já existiam. Os livros
estão arraigados em seus lugares. Esperando, como sempre, para serem lidos,
relidos ou concluídos – esse é seu drama.
O cheiro de nossa casa é inconfundível, sempar,
agradabilíssimo às nossas narinas. Só às nossas. Remete segurança, exala
histórias, cutuca memórias, inspira fugazes sensações de dura [mas abençoada]
realidade.
E, tratando-se de realidade, a torneira da pia continua
irritante, a gotear com imensas e niveladas pausas. Como um velho ranzinza,
ignorante aos belos momentos.
Não há maior deleite que o encontro com nosso quarto, nosso
reduto. A cama parece ter saudade de nosso debruçado repouso. O tato suprime os
demais sentidos: é como se houvesse uma troca de energia entre ambos,
magneticamente – um descansa e, o outro, encontra razão, sentido.
Perceber que o retorno à casa designa o retorno às
cotidianas e nem sempre agradáveis responsabilidades, pode eliminar a nobreza de um
momento bom. Simples, mas bom.
Realmente o retorno nos remete a várias lembranças e sensações. No meu caso, tenho competido arduamente com a pia. Não sei quem é mais irritante. kkk... Parabéns pelo blog e principalmente pelo texto.
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