quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

De volta


Alguns dias fora de casa trazem certo alívio. Mas retornar à casa, proporciona uma sensação reconfortante. É como um encontro. Versos e melodia tocando-se entre si, harmonicamente encadeados.

Ao sair, deixamos a rotina, a obrigação, o horário, a agenda e, sobretudo, a bagunça. Bagunça de casa com crianças. Crianças vivas; não daquelas que fixaram na memória o não-pode.


O regresso oferece uma reflexão sobre o sentido da casa, do que ela abriga.

Os móveis permanecem os mesmos, de anos. Com tempo sem vê-los, é possível notar novos arranhões que, de fato, já existiam. Os livros estão arraigados em seus lugares. Esperando, como sempre, para serem lidos, relidos ou concluídos – esse é seu drama.

O cheiro de nossa casa é inconfundível, sempar, agradabilíssimo às nossas narinas. Só às nossas. Remete segurança, exala histórias, cutuca memórias, inspira fugazes sensações de dura [mas abençoada] realidade.

E, tratando-se de realidade, a torneira da pia continua irritante, a gotear com imensas e niveladas pausas. Como um velho ranzinza, ignorante aos belos momentos.

Não há maior deleite que o encontro com nosso quarto, nosso reduto. A cama parece ter saudade de nosso debruçado repouso. O tato suprime os demais sentidos: é como se houvesse uma troca de energia entre ambos, magneticamente – um descansa e, o outro, encontra razão, sentido.

Perceber que o retorno à casa designa o retorno às cotidianas e nem sempre agradáveis responsabilidades, pode eliminar a nobreza de um momento bom. Simples, mas bom.




Um comentário:

  1. Realmente o retorno nos remete a várias lembranças e sensações. No meu caso, tenho competido arduamente com a pia. Não sei quem é mais irritante. kkk... Parabéns pelo blog e principalmente pelo texto.

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