Hoje exalto a vida. Festejo mais um ano aqui, nesse lugar. Gosto dele. Não pretendo antecipar minha ida. Mas sei que é transitório, então, não me acostumo.
Enquanto meu perene céu não chega, faço minhas petições. Não exigências. Meros desejos desordenados que envolvem minha vida e a Terra...
Lá vai:
1) Quero amar e preciso ser amado. Isso é urgente.
2) Quero envelhecer com qualidade: manter a mente jovem, pra sempre. Tipo usar All Star depois dos 60; ter um cavanhaque branco, andar de bicicleta, experimentar comidas novas, abrir-me a mudanças e fugir da previsibilidade da rotina e do preconceito. Caminhar de sunga e tênis mesmo com a pele enrugada e flácida etc.
terça-feira, 13 de agosto de 2013
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Tatuagens
Flávio esperava ansiosamente que sua tatuagem nova
terminasse de despelar. Faltavam 4 dias para o show do Chiclete e essa figura
tribal registrada na parte externa do braço iria combinar perfeitamente com a colorida
mortalha do evento.
Sua mãe implicava com tatuagens, sempre achou coisa de
vagabundos e maloqueiros.
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Sexo sem cãibras
Em sua visita ao Brasil, o médico norte-americano E. Longh
Ettion, Ph.D., lança a tradução de seu best-seller Sex Without Cramps, o Sexo Sem Cãibras, pela editora E-Men.
Hospedado numa pousada em Salvador, Bahia, Doctor E., como é chamado, sente-se
confortável em conversar sobre o atrevido tema abordado em seu livro.
Em entrevista exclusiva, comenta a razão de tantas pessoas
se identificarem com o assunto e nega o polêmico envolvimento com substâncias alucinógenas,
divulgado em Outubro desse ano na controversa e massificada rede social Instabook.
...
O Jornal: O sr. parece mais jovem pessoalmente. Escuta isso com
frequência?
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Dostoiévski
Quando se encontraram, logo perceberam que ele se gabava –
daquele tipo que cita Dostoiévski. Nunca leu Dostoiévski. Mas cita Dostoiévski.
Não necessariamente seus versos ou trechos, mas, de maneira
genérica, o existencialismo. Assunto que também não domina com profundeza. Mas
como soa bem esse vocábulo...
Nove
Hoje encontrei na rua (na verdade, só vi de longe) uma menina da sétima série.
Ela só tirava dez. Sempre. Em tudo.
Um dia, ela tirou nove. Chorou. Muito. Como se tivesse tirado zero.
Nunca entendi.
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Pudica
Casta. Discreta. Imaculada. Era tudo que aparentava.
Seu cabelo tinha um corte modesto, de meses, resguardando generosamente as faces de suas bochechas. Sua franja quase cobria os olhos. Tudo em seu rosto sugeria recato, inclusive a ausência de batom – ou qualquer cosmético.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Linguado
....
– Oi, me vê dois quilos de abadejo. Por favor.
– Agora, pode deixar!
– Senhora, corto em postas?
[Inocentemente ele disse “senhora”. Ela odiava esse tratamento. E ela nem era velha. Mas era mulher: o suficiente pra implicar com a mais longínqua possibilidade de lidar com o envelhecimento, mesmo que aparente ou até inexistente. Obviamente ela controlou-se para sustentar a cortesia no diálogo. Concentrou-se, ainda, no factual – ele era apenas um parvo peixeiro.]
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Cercado de vítimas
Ele queria encontrar-se numa situação mais conveniente, mais
aprazível. Sentir-se em meio a uma multidão de vítimas tem feito dele confusamente
ingênuo – é o que ele vem discretamente afirmando por aí.
Ele gosta de ajudar, mas estaria sendo transformado em um impensante e atordoado ser oco? Sim. Oco e frio – para sua dolorosa decepção.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
De volta
Alguns dias fora de casa trazem certo alívio. Mas retornar à
casa, proporciona uma sensação reconfortante. É como um encontro. Versos e
melodia tocando-se entre si, harmonicamente encadeados.
Ao sair, deixamos a rotina, a obrigação, o horário, a agenda
e, sobretudo, a bagunça. Bagunça de casa com crianças. Crianças vivas; não
daquelas que fixaram na memória o não-pode.
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